Os estágios acadêmicos – por Renato Dias Baptista
Os universitários começam a busca por um estágio que, além de ser uma norma curricular, representa o necessário contato com a realidade. O período de estágio é um dos momentos mais importantes entre o ensino acadêmico e o mercado. Algumas vezes, o estágio é um complemento daquilo que foi ensinado, em outras ocasiões pode sobrepujar os conhecimentos, principalmente se realizado numa organização – frise-se – ética e bem gerida. As empresas bem geridas possuem setores ou profissionais capacitados para administrar os planos de estágios. Naquelas que apresentam boas práticas, os estagiários são considerados colaboradores em potencial.
Embora a efetivação não possa ser garantida após o término das atividades, essas empresas sabem que contribuem na formação profissional e na capacitação para o mercado. As empresas éticas consideram os estagiários como talentos a serem desenvolvidos, e por isso, os direcionam para tarefas consonantes ao programa do curso em que o estudante está inserido. Infelizmente, não são todas as organizações que possuem a mesma conduta, também não é necessário uma procura intensa para encontrar alunos desenvolvendo tarefas que estejam totalmente descaracterizadas como um estágio. Não há justificativa quando alguém que cursa Administração ou Psicologia, por exemplo, tenha a maior parte de seu tempo de estágio tomada por tarefas como digitação de dados ou recepção.
Claro, se levarmos em conta um estudante de baixo poder aquisitivo, podemos “compreender” o motivo de sua aceitação em executar tais tarefas. A bolsa, em muitos casos, é parte fundamental na manutenção dos estudos, da alimentação, do transporte, entre outros. Entretanto, deve ser ressaltado que a necessidade financeira de um estudante não deve ser concebida como incentivo a essa conduta empresarial. Quando uma organização considera o estagiário como um subproduto de seus recursos humanos, ela descaracteriza o planejamento e o desenvolvimento organizacional e tende em aplicar o mesmo procedimento aos seus colaboradores, além de ser uma visão distorcida que não credita competência em outros subsistemas.
Como superar esses entraves? Para as organizações que queiram mudar, vale o princípio básico do benchmarking: a realização de visitas técnicas em empresas que acertam nas boas práticas relacionadas às ações de gestão de talentos. Essas visitas podem convencer que a mudança é válida e rentável, também ensinam muito, visto que são corporações inteligentes – entre inúmeros aspectos – no planejamento de estágios, no desenho de atividades alinhadas com a formação acadêmica e na preocupação com um dos componentes das ações de Responsabilidade Social Empresarial: o público interno.
*Renato Dias Baptista é doutor em Comunicação pela PUC/SP, docente da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e da Universidade Paulista (Unip).
















