Posts tagged ‘classificação de risco’

Humanização na saúde: rodando a roda… contrareferenciando para a rede – por Sônia Cardoso Moreira Garcia

SONIAA(Psicóloga Clinica e Hospitalar, trabalha no Hospital Municipal da itatiaia/RJ e no Hospital de Emergência de Resende/RJ. É militante da humanização e do acolhimento; e colaboradora da Humaniza Brasil)

Ouvir o desejo do outro não é, necessariamente, atendê-lo. Mas incluí-lo através da nossa escuta e dos limites.

Conhecendo a Rede, pensando nas possibilidades de pactuação de encaminhamentos, elaboramos o Projeto Piloto de Sistema de Contra Referência na Porta de Entrada do Hospital Municipal Henrique Sérgio Grégori: Este é um novo Protocolo que dá continuidade ao do Acolhimento com Classificação de Risco, validando-o ainda mais. Este segundo, classifica os usuários de acordo com seu grau de adoecimento, agudo ou crônico, e sua complexidade. Desta forma há usuários que são classificados em nível baixo de complexidade, em cor azul, com demanda de ambulatório, de consulta sem urgência ou emergência.

Estes usuários são os que podem ser contra referenciados para suas unidades de origem, seus PSFs.
Digo podem, pois a eles é dado o direito de não aceitarem a contra referência e esperarem ou não, pelo tempo previsto pelo Ministério da Saúde para atendimento de usuários de ficha azul, ou seja, entre 4 ou 5 horas podendo variar para mais ou para menos.

O Sistema de Contra Referência é um  modo de organização dos serviços configurados em redes sustentadas por critérios, fluxos e mecanismos de pactuação de funcionamento, para assegurar a atenção integral aos usuários. Na compreensão de rede, deve-se reafirmar a perspectiva de seu desenho lógico, que prevê a hierarquização dos níveis de complexidade, viabilizando encaminhamentos resolutivos (dentre os diferentes equipamentos de saúde), porém reforçando a sua concepção central de fomentar e assegurar vínculos em diferentes dimensões: intra-equipes de saúde, inter-equipes/serviços, entre trabalhadores e gestores, e entre usuários e serviços/equipes.

Este Sistema garante a adscrição do usuário nos PSFs e a efetivação de vínculos entre as partes envolvidas. Para o sucesso deste Sistema é necessário que a Rede e os Gestores estejamos afinados e isso, nós estamos. Aos poucos estamos mudando uma cultura onde a população busca a emergência e a urgência médica sem demanda para tal, promovendo um enorme gargalo dos atendimentos de emergência, na emergência médica.

Ao usuário, após passar pela classificação de risco, é designada uma cor. Se for a azul ele será chamado pelo médico que o avaliará e solicitará à equipe de acolhimento a contra referência. A contra referência é feita formalmente, com encaminhamento  próprio e com resumo mínimo do caso para ser apresentado na Unidade de origem do usuário. Este usuário é atendido de acordo com a disponibilidade da agenda da Unidade, para que esse encaminhamento não se transforme em um privilégio de atendimento na Rede Básica. Em caso de necessidade de medicação para alívio dos sintomas e/ou outros procedimentos sugeridos pelo médico, eles são realizados e só depois o usuário é contra referenciado.

As equipes médicas do Hospital estão empenhadas na promoção saudável da contra referência, entendendo que os gestores estão imbuídos do desejo de fazer o que há de melhor pela população. Aderiram com profissionalismo e seriedade aos nossos esforços. vencemos as habituais resistências  por conta da seriedade com que trabalhamos. Com grande parceria estamos juntos, oferecendo um serviço em saúde,  humanizado e de qualidade.

* A Humaniza Brasil está feliz por ter como uma de suas colaboradoras a psicóloga Sonia, que tem sido militante da humanização na saúde com humildade e perseverança. Parabéns!

Blog da Humaniza Brasil

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Humanização… Humanos tratando, falando, estudando e discutindo a humanização na saúde. Parece-me redundância…

SONIAA(Psicóloga Clinica e Hospitalar, trabalha no Hospital Municipal da itatiaia/RJ e no Hospital de Emergência de Resende/RJ. É militante da humanização e do acolhimento; e colaboradora da Humaniza Brasil)

Qual o sentido da humanização? O que fazemos em nossos encontros com o outro que adoece e necessita de acolhimento, de escuta  e de soluções para as suas demandas, sejam elas de grande porte ou não? Pensando em nossas possibilidades dentro da Porta de Entrada do Hospital Municipal Henrique Sergio Grégori, em Resende/RJ e no nosso  desejo e esforço, como também dos nossos gestores, em primar pela qualidade do atendimento na saúde do nosso município, adotamos em nosso Pronto Socorro, com particularidades, com singularidades e significativas adaptações, o Protocolo de Acolhimento com Classificação de Risco, ou melhor, dizendo: Protocolo de Acolhimento Multidisciplinar com Classificação de Risco.

Medidas específicas e educativas as quais coadunam com o Protocolo foram realizadas: como folder explicativo, banner, entrevistas às rádios e salas de espera promovendo o significado, rotina, função, objetivos e fins da Classificação de Risco e tudo isso no sentido de levarmos à população o conhecimento real do que iriam encontrar no nosso hospital, em nossa porta de entrada e do quanto esta nova maneira de atender seria positiva a cada um de nós. Como o Protocolo prevê, organizamos uma Sala de Classificação de Risco, com uma equipe de enfermeiras graduadas e algumas pós-graduadas e até mestres, que se revezam nos dias da semana para efetuarem a Classificação em cada usuário que em nossa Porta de Entrada adentra.


Durante
o período de implantação e adaptação deste Protocolo, percebemos que estávamos realizando um encontro entre profissional da saúde e usuários. O primeiro, enfermeiros, que atenderiam às demandas físico-orgânicas dos segundos, os nossos usuários e para isso, ouvindo-os em suas queixas com relação ao seu corpo e aos seus sintomas. Entendendo que cada um dos usuários, que naquela Sala de Classificação se encontra, é dono de diversas dimensões que não somente a física, entre outras, também a psíquica, decidimos inovar! Ousar e arriscar! E para isso estou sempre muito disposta! Algumas resistências foram encontradas e aos poucos superadas. O novo assusta… Provoca ansiedade, temor e dúvidas. E o ditado que diz: “O tempo é o senhor da razão”, se fez valer em nossa experiência…

E lá fui eu… Passei, como psicóloga hospitalar, junto à enfermagem, a acompanhar todo o processo da Classificação de Risco, promovendo a apresentação da equipe, a explicação um a um do Protocolo, escuta ativa, postura psicoinformativa e acolhimento.A princípio alguns se perguntavam: o que fará uma psicóloga na Sala de Classificação de Risco de um hospital e hoje, após um trabalho de meses,  onde sabia a que eu viria e em perfeita harmonia com a equipe de enfermagem, de médicos,  serviço social e recepção, orquestramos um atendimento de qualidade, sem ruídos, com comunicação limpa e adequada, com escuta para as demandas do corpo e acolhimento  para as vertentes psicoafetivas da nossa população.

Esta nossa maneira singular de fazer a humanização e o acolhimento à nossa população em nossa Porta de Entrada, veio sendo construída dia-a-dia, foi gestada diariamente com observações da nossa realidade, críticas e sugestões vindas dos profissionais daquela instituição e dos usuários e ainda, apoio, respeito e credibilidade significativos dos nossos gestores para com nosso profissionalismo: Prefeito, Secretário de Saúde e Diretores do hospital.  Sendo assim, digo que os sonhos são possíveis… Muito mais se são sonhados junto com mais gente….  “Se algo nos parece impossível…. Ora, isso não é motivo para não querê-lo”. (Mario Quintana)

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