Humanização… Humanos tratando, falando, estudando e discutindo a humanização na saúde. Parece-me redundância…
(Psicóloga Clinica e Hospitalar, trabalha no Hospital Municipal da itatiaia/RJ e no Hospital de Emergência de Resende/RJ. É militante da humanização e do acolhimento; e colaboradora da Humaniza Brasil)
Qual o sentido da humanização? O que fazemos em nossos encontros com o outro que adoece e necessita de acolhimento, de escuta e de soluções para as suas demandas, sejam elas de grande porte ou não? Pensando em nossas possibilidades dentro da Porta de Entrada do Hospital Municipal Henrique Sergio Grégori, em Resende/RJ e no nosso desejo e esforço, como também dos nossos gestores, em primar pela qualidade do atendimento na saúde do nosso município, adotamos em nosso Pronto Socorro, com particularidades, com singularidades e significativas adaptações, o Protocolo de Acolhimento com Classificação de Risco, ou melhor, dizendo: Protocolo de Acolhimento Multidisciplinar com Classificação de Risco.
Medidas específicas e educativas as quais coadunam com o Protocolo foram realizadas: como folder explicativo, banner, entrevistas às rádios e salas de espera promovendo o significado, rotina, função, objetivos e fins da Classificação de Risco e tudo isso no sentido de levarmos à população o conhecimento real do que iriam encontrar no nosso hospital, em nossa porta de entrada e do quanto esta nova maneira de atender seria positiva a cada um de nós. Como o Protocolo prevê, organizamos uma Sala de Classificação de Risco, com uma equipe de enfermeiras graduadas e algumas pós-graduadas e até mestres, que se revezam nos dias da semana para efetuarem a Classificação em cada usuário que em nossa Porta de Entrada adentra.
Durante o período de implantação e adaptação deste Protocolo, percebemos que estávamos realizando um encontro entre profissional da saúde e usuários. O primeiro, enfermeiros, que atenderiam às demandas físico-orgânicas dos segundos, os nossos usuários e para isso, ouvindo-os em suas queixas com relação ao seu corpo e aos seus sintomas. Entendendo que cada um dos usuários, que naquela Sala de Classificação se encontra, é dono de diversas dimensões que não somente a física, entre outras, também a psíquica, decidimos inovar! Ousar e arriscar! E para isso estou sempre muito disposta! Algumas resistências foram encontradas e aos poucos superadas. O novo assusta… Provoca ansiedade, temor e dúvidas. E o ditado que diz: “O tempo é o senhor da razão”, se fez valer em nossa experiência…
E lá fui eu… Passei, como psicóloga hospitalar, junto à enfermagem, a acompanhar todo o processo da Classificação de Risco, promovendo a apresentação da equipe, a explicação um a um do Protocolo, escuta ativa, postura psicoinformativa e acolhimento.A princípio alguns se perguntavam: o que fará uma psicóloga na Sala de Classificação de Risco de um hospital e hoje, após um trabalho de meses, onde sabia a que eu viria e em perfeita harmonia com a equipe de enfermagem, de médicos, serviço social e recepção, orquestramos um atendimento de qualidade, sem ruídos, com comunicação limpa e adequada, com escuta para as demandas do corpo e acolhimento para as vertentes psicoafetivas da nossa população.
Esta nossa maneira singular de fazer a humanização e o acolhimento à nossa população em nossa Porta de Entrada, veio sendo construída dia-a-dia, foi gestada diariamente com observações da nossa realidade, críticas e sugestões vindas dos profissionais daquela instituição e dos usuários e ainda, apoio, respeito e credibilidade significativos dos nossos gestores para com nosso profissionalismo: Prefeito, Secretário de Saúde e Diretores do hospital. Sendo assim, digo que os sonhos são possíveis… Muito mais se são sonhados junto com mais gente…. “Se algo nos parece impossível…. Ora, isso não é motivo para não querê-lo”. (Mario Quintana)

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